NOTAS SOBRE "NOTÁVEIS" da FREGUESIA por: Joaquim Ernesto da Fonseca
                                                                                 
ANTÓNIO ROQUETTE

António Roquete é nome que se repetiu em cada uma das primeiras quatro gerações da família Roquete desde o povoamento da Fajarda. Mas quem recordamos neste apontamento é o da segunda geração, António Queriol Roquete, , filho de António Ferreira Roquete e de D. Rita Queriol Roquete, os aforadores, por ser o “Senhor Roquete” da minha infância e juventude e que no registo da minha memória de então se mantém como uma figura que não me canso de admirar.

Homem de apreciável estatura, porte atlético, dolicocéfalo, como tantos homens de grande carácter, maçãs do rosto bem marcadas, voz segura e postura de grande dignidade, era um típico homem da cidade mas nutria o verdadeiro culto da ruralidade, como evidenciava durante os largos períodos que com toda a família passava no Monte da Fajarda. Numa época em que a população da Fajarda era quase exclusivamente constituída por trabalhadores rurais, foreiros e “arrencadores” (décadas de 1930/1940), e em que as diferenças de estatuto social eram muito marcadas, o Senhor Roquete granjeava, pela proximidade que estabelecia com as pessoas do meio rural, sem qualquer sobranceria, a confiança e o respeito da diferença sem diminuir a posição de cada um; afável, tranquilo, irradiava simpatia sem exuberância nem populismo, conhecia e tratava pelo nome foreiros e trabalhadores da herdade com quem gostava de manter amena conversa, durante e sobre os trabalhos, muitas vezes com um discreto sentido de humor; era notória a sua satisfação quando falava com aqueles com quem tinha partilhado algumas brincadeiras nos períodos que em criança passava com os pais na Fajarda.

Meu pai era um deles; ao tempo da infância de ambos que eram da mesma idade, meu avô Ernesto trabalhava no Monte da Fajarda como pedreiro e D. Rita Queriol logo que chegava de Lisboa para passar alguns dias na Fajarda pedia-lhe para no dia seguinte trazer o “Manel” para brincar com o menino António. Era com um brilho nos olhos que meu pai nos transmitia as memórias desse relacionamento, referindo-se nessa altura não já ao menino António mas ao “Senhor Roquete” que muito estimava, e cuja estima era mútua pois mantinham como adultos, não obstante a diferença de estatuto social de cada um, aquela cumplicidade relacional de quem se respeita e estima. A mim, que como criança assisti a muitas das conversas entre ambos, fascinava-me a cordialidade com que dialogavam um modesto trabalhador e um senhor da cidade, proprietário, patrão, engravatado, sem que cada um deixasse de se sentir no seu papel; recordo-me como ambos participaram numa experiência para produzir no vale da Fajarda uma nova espécie de legume, a soja; o Senhor Roquete trouxe a semente e pediu a meu pai que a semeasse no terreno que cultivava como seareiro, (o canto do viveiro, localizado acima do Olho de Lagarto); tratava-se dum legume desconhecido entre nós que se revelou de grande produção mas com alguns problemas para o nosso clima; o entusiasmo com que António Roquete acompanhava com meu pai todas as fases de desenvolvimento daquela cultura parecia divertí-los tanto como as brincadeiras que partilharam na infância.

Segundo meu pai o Senhor Roquete já na infância evidenciava um grande à vontade e sentido de humor na relação com os da sua idade; certo dia meu pai ouvindo dizer aos mais velhos que em Lisboa as casas se estendiam pelas encostas e que havia ruas com uma grande inclinação, perguntou-lhe na sua linguagem de menino da aldeia: “Óh menino Atóino, é vardade q’as ruas lá in Lisboa são todas à assubir, . . . à assubir” ?. Ao que ele prontamente, e gracejando da linguagem de meu pai, lhe respondeu: -“Não, também há muitas à descer, . . . à descer !.Para mim, o Senhor Roquete mantém-se como uma das pessoas mais admiráveis que conheci!



                                                                                 
TI EMÍLIA

Poderá a alguém parecer estranho que inclua entre aqueles que tenho vindo a considerar os “notáveis” que ao longo dos últimos cem anos viveram na Fajarda, uma mulher cuja imagem ficou para todos marcada mais por aspectos caricaturais da sua humildade do que pelo que convencionalmente é tido como notoriedade.

É que, do meu ponto de vista, notoriedade não é a exibição sobranceira de eloquência ou grandeza mas sim uma constante de manifestações que denotam uma interioridade própria, de humana franqueza. Era o caso da mulher que hoje recordamos. Não me lembro de outra figura da nossa terra que, sempre que alguém falecia, além de ser das primeiras pessoas a aparecer, por vezes a primeira, em casa dessa família partilhando o luto e dor com palavras de conforto aos familiares, era também a única que, quase sempre trazendo uma flor, tinha a hombridade de junto do corpo formular em voz para todos audível, uma ou mais orações adequadas ao momento, o que por ser uma atitude diferente da generalidade dos circunstantes era visto com um certo distanciamento e algo de estranho; sempre considerei que além de genuína e espontânea era uma atitude de uma grande dignidade interior. E no dia do funeral lá ia também, sempre, a todos.

Emília Angelina de seu nome, todos a tratavam por “Ti Emília” mas quando dela se falava, e ainda hoje, era por Emília “Marreca” ou simplesmente “Marreca” que era conhecida, alcunha que lhe adivinha, como a todos os seus irmãos de Marinhais, do facto de seu pai ter uma “cifose” (curvatura saliente da coluna dorsal).

Apesar de possuir uma das melhores e maiores fazendas na parte norte da Fajarda, nem sempre bem cuidada, era comprando e vendendo queijos, ovos e por vezes um ou outro frango que transportava num cesto de porta em porta, que ia ganhando a vida, sem grande sucesso, diga-se, pelo menos na fase em que a conheci, já a idade pesava; é que, dizia-se, a Ti Emília por vezes vendia ao preço que comprava e até mais barato. Do que não tenho dúvidas porque o presenciei algumas vezes, é que do pouco que possuia ainda fazia por vezes questão de partilha-lo com as vizinhas por onde passava para trazer qualquer encomenda de que necessitassem; recordo a boa e prestimosa relação que nesse sentido mantinha com a minha mãe.

E quem, vivendo no seu tempo, não se lembra da sua participação todos os anos na procissão das Festas do Castelo, acompanhada da sua filha Angelina transportando esta um açafate cheio de fruta e ela um ou dois galináceos, oferendas que no final da procissão entregavam a Nossa Senhora numa genuína homenagem de preito e fé?

Não obstante o seu ar humilde e os vestidos de festa já em desuso para a época, mas os mais dignos que possuíam, e talvez por isso mesmo, sempre foram a mais notada presença da Fajarda nas procissões.

Apesar da sua índole humildemente solidária e humana era mulher duma certa irreverência o que não deixa de ser relevante vivendo numa época em que a mulher teria supostamente de ser submissa; essa irreverência manifestou-se nalguns aspectos da sua relação marital e manifestava-se muito especialmente sempre que alguém tentasse zombar dela e dos seus costumes, pois teria de imediato resposta pronta e adequada, mordaz e corrosiva para o interlocutor, nomeadamente quando a provocavam com a célebre expressão “agora não se pode ir à Fajarda, faz lá muito frio”, em que a sua reacção deixava por vezes o interpelante sem vontade de repetir a provocação.

Faleceu na década de 1960, com cerca de oitenta anos em casa de familiares nos Foros de Salvaterra, ficou sepultada no concelho de onde era natural e que se saiba, ninguém da Fajarda foi ao seu funeral.

Ironia do destino!

Mas é como uma das mais populares e “notáveis” figuras da Fajarda que sempre será recordada.

                                
                                                                                 
“O PACATO”


O seu nome era António dos Santos mas todos o conheciam por António Pacato ou simplesmente “O Pacato”, alcunha que se lhe adequava perfeitamente se tivermos em consideração que pacato significa pessoa modesta, de índole pacífica, sossegada e honesta. Nascido por volta de 1910, era o mais velho de três irmãos, filhos de um casal originário de entre Nisa e Vila Velha de Ródão que se veio a fixar na Fajarda quando do aforamento da parte norte (foros de Vale de Cavalos) na primeira década de 1900; tornou-se uma das figuras mais típicas e populares da Fajarda no seu tempo, pela sua particularidade de vida, o seu apurado espírito de crítica, de humor mordaz, oportuno e repentista com algum sarcasmo mas não provocatório e sem alarde.

Raramente tratava alguém pelo nome próprio pois a todos tratava por vizinho, mesmo as pessoas que não tinham com ele qualquer relação de proximidade a não ser o relacionamento da ocasião que para ele era já, só por si, uma relação de proximidade humana; por esse motivo muitos dos seus conterrâneos o tratavam simpaticamente por o “vizinhança” ou mais sarcasticamente por “vizinho juiz” por ele assim se ter dirigido ao magistrado da comarca num julgamento em que depunha como testemunha.

Amigo do copo, nunca foi dado a namoros e viveu toda a sua vida de solteiro numa pequeníssima casa de uma só divisão que era simultaneamente cozinha, sala e quarto e cuja dimensão não ultrapassava 12 a 15m²; quando diáriamente saía para o trabalho levava ao ombro, além do alforge com o farnel uma pequena manta e quando lhe perguntavam porque a levava todos os dias, respondia: - “É a minha companheira durante a noite, também não a vou deixar sozinha durante o dia”.Tornaram-se popularmente conhecidas e ainda hoje são recordadas algumas das suas expressões mais significativas como aquela que no inicio da guerra colonial em 1961 respondia ao “slogan” da ideologia política do Estado Novo, “Angola é Nossa”, que passava a cada momento na rádio e ao qual António Santos retorquia: - “Angola é nossa”? - a minha parte posso vende-la por um copo de vinho”; a essa graça terá reagido mal um lavrador “patriota” para quem trabalhava na altura, que o despediu de imediato. Noutra ocasião o patrão para quem foi trabalhar, à segunda feira, quis saber o preço que tinha sido estabelecido para a jorna dessa semana na praça do trabalho na véspera e perguntou-lhe na expressão habitualmente utilizada para o caso: Ó António, como é que saíram ontem os homens da praça?, ao qual ele respondeu: “Ora, saíram uns atrás dos outros como de costume”.Mas a expressão que mais o popularizou foi aquela que sempre utilizava expressando o seu desagrado e enfado quando alguém se tornava maçadoramente exigente, ou procurava complicar as coisas, a que ele reagia com um, “ainda mais essa m . . .” expressão que lhe terá valido uma noite na cadeia quando no tal julgamento em que depunha como testemunha , o juíz o admoestou pela forma como o tratou, (por vizinho), e o ameaçou com a cadeia, ao que António Santos retorquiu: “ainda mais essa m . . . vizinho juíz”. Aí foi mesmo parar à cadeia! O mais curioso é que António Santos foi vítima de ter sido o primeiro dos irmãos a nascer; o seu padrinho, homem da terra dos pais, mas de nível social elevado, quis levá-lo para sua casa quando ele tinha dez ou onze anos para que pudesse estudar, mas o pai não aceitou porque ele já podia trabalhar para ajudar no sustento da casa e acabou por ir com o padrinho o mais novo dos irmãos, o qual veio a ter um futuro diferente, com uma carreira de oficial do exército.Ao António, para todos nós o “Pacato”, estava reservado apenas ser recordado como um dos notáveis da nossa terra, pois notáveis são aqueles que vivem honestamente trabalhando, sem egoísmos ou ambições e de bem com a comunidade; veio a ter um inesperado fim já próximo dos 70 anos ao ser atropelado numa noite quando se dirigia a casa, provavelmente com uns copos, sem que o causador do atropelamento viesse a ser identificado.


                                                                                 
ANTÓNIO CATARRO


Falamos hoje de um homem que certamente já muito poucos se lembram e desses, provavelmente muito menos valorizam e se aperceberam da sua grandeza de carácter: - António Francisco Catarro.

Natural de Marinhais onde terá nascido entre 1880 e 1890, fixou-se ainda jovem na Fajarda, como barbeiro, primeiro no monte do Padeiro e depois na casa que ainda hoje podemos ver em ruína entre a escola que actualmente é o Jardim de Infância e as casas que foram de Francisco e Manuel Bento.

Detentor apenas da instrução primária e com conhecimentos ao nível do 1.º ou 2.º ano liceal da altura, o equivalente ao actual 6.º ano de escolaridade, era sobretudo de um espírito humanista, relacional e artístico pouco comum para um meio rural da época e que gostava de partilhar com quantos com ele privavam; antes da existência da escola oficial na Fajarda foi ele o mestre escola dos poucos que então aprendiam a ler e escrever.

Um alpendre que possuía frente à sua casa e barbearia do outro lado da estrada em terreno pertencente à herdade de Vale Covinho era o seu “atelier” oficina onde passava parte do tempo e executava pequenos trabalhos de carpintaria e quadros de composições florais em colagens e pintura; ali acolhia artistas, músicos e tocadores ambulantes pois ele próprio era também um eximio tocador de guitarra.

Católico convicto e praticante, os seus filhos e netos recordam-no como um pai de família exemplar bom conselheiro com base nos ensinamentos da Bíblia e metódico em tudo o que fazia ; tive ainda recentemente oportunidade de apreciar uma faceta dessa sua característica através dos registos que deixou num caderno que o seu filho Alexandre guarda religiosamente, onde alinhou poemas populares da época, orações e outros registos numa apresentação e caligrafia impecáveis que nos maravilham.

Conheci-o quando aos sete anos fui para a escola, no princípio da década de 1940 e ele teria ultrapassado já os cinquenta anos; a sua enorme capacidade de relacionamento com as crianças e de nos deliciar com histórias e passatempos da sua própria criação, fazia com que ao sairmos da escola passássemos muitas vezes pelo seu alpendre e ali nos demorássemos a ver os trabalhos que ele e outros artistas executavam, ouvir as suas histórias e a sua guitarra nas desgarradas que eles improvisavam para nós ou que ele simplesmente tocava para deliciar a miudagem.

Recordo com um misto de ternura e saudade essa figura de respeitável ancião com o seu grande bigode bem ao estilo de 1900, por baixo do qual transparecia, sempre que estava perante crianças, um sorriso afável e tranquilo que nos transmitia a franqueza e a confiança de um avô.

Para mim, era um homem “notável”!

                                             
                                                                                 
ANA JERÓNIMA

Nascida em 1911, cresceu e fez-se mulher sempre com uma saúde débil que a levou a passar a maior parte do tempo em consultas e internamentos hospitalares quando não estava retida em casa, situação de doença que os que dela se recordam não sabem caracterizar; ninguém supôs alguma vez que ela viria a tornar-se a mais conhecida figura da Fajarda e a fazer com que o nome desta localidade fosse, na década de 1940 conhecido de norte a sul do País.

Mas depois dos trinta anos, como que numa viragem da sua experiência de doente, Ana Jerónima passou ela própria a ser um recurso procurado por tantos doentes, ou que como tal se julgavam, e a sua fama de milagrosa curandeira ultrapassou em muito os limites da terra onde nasceu e cresceu, bem como das terras confinantes, trazendo milhares de pessoas das mais distantes localidades que procuravam as virtudes da “Mulher da Fajarda”, “Curandeira da Fajarda”, “Virtuosa da Fajarda” ou “Santa da Fajarda”, como também se lhe referiam; pelo nome próprio só os conterrâneos a conheciam e tratavam, uns mais crentes das suas virtudes que a ela recorriam também, outros mais cépticos que tinham dúvidas mas que respeitavam a sua forma de estar na vida e só muito poucos consideravam a sua actividade como típica de uma qualquer “bruxa curandeira”.

Fosse como fosse, o certo é que durante os quatro ou cinco anos em que recebeu os que a ela recorriam na sua modesta casa de adobe com cobertura de palha no extremo da actual Rua do Padeiro, junto ao caminho de ferro, ali se juntavam diariamente dezenas de pessoas a aguardar a sua vez de serem atendidos e ocasiões houve em que se contavam por mais de uma centena os que aguardavam dois e três dias, pernoitando em casas da vizinhança.

Os problemas que aqui traziam tanta gente eram os mais variados desde pequenas “ruindades” a casos desesperados de situações de doenças graves e prolongadas que não tinham encontrado a cura desejada nos meios médicos, nomeadamente doenças cancerosas, e também como sempre acontece nestes casos, mau olhado, aparições da alma de um familiar defunto e mesmo possessão por espírito maligno. E não se pense que se tratava apenas de pessoas humildes; ali recorriam pessoas de todos os extractos sociais: licenciados, individualidades diversas, religiosos, etc.

Ana Jerónima não sabia ler nem escrever mas ditava o nome de alguns remédios que se podiam comprar na farmácia ou de produtos para preparar mezinhas e dizia-se que se o nome não era correctamente escrito ela detectava onde estava o erro; eu próprio como um dos poucos miúdos daquela altura que tinham frequentado a escola, ali acompanhei algumas vizinhas, que pediam para lá ir escrever o que ela aconselhava como tratamentos e presenciei algumas vezes a forma como ela atendia os que a procuravam. Reflectindo mais tarde sobre o que vi concluía que ela tinha uma enorme capacidade de percepção de cada caso individual que se lhe apresentava e de personalizar o atendimento de forma acolhedora, transmitindo a quantos a ela recorriam uma grande tranquilidade e segurança.

Cada atendimento era precedido de um pequeno ritual que consistia em massajar suavemente as mãos e antebraços, pescoço e face de si própria com álcool canforado, assumindo de seguida uma posição de pose e concentração, só depois se iniciando o diálogo de atendimento; nos casos em que estaria em causa a intervenção de “espíritos”, o ritual era mais alargado abrangendo a preparação do cliente que por vezes entrava em transe.Dizia-se que todos os actos praticados por Ana Jerónima eram inspirados por um guia alemão que já não era deste mundo; o atendimento era gratuito, mas se alguém deixava uma dádiva era recebida.

A sua fama tornou-se tal que de muitas terras a vinham buscar para ali fazer atendimentos de um ou dois dias, Valada, Pinhal Novo, etc. e foi numa dessas deslocações que ela foi detida em Sousel “por exercício ilegal de medicina”, vindo a ser julgada em Estremoz onde cumpriu pena de prisão; durante a viagem ela terá dito ao motorista do táxi que sabia que ia ser detida mas tinham de prosseguir porque essa era a sua missão; tempos antes tinha já sido detida em sua própria casa e cumprido pena de prisão em Coruche.

Faleceu com 39 anos e os seus filhos, cuja infância coincidiu com o período de maior actividade, recordam-na com admiração, referindo que se ela durante o dia estava ausente como mãe dedicando-se exclusivamente a atender quantos a procuravam, à noite era uma mãe completamente disponível para a família; depois do por do sol não atendia mais ninguém.

Humilde e notável, esta mulher !

 
IDIOMA: PT | EN
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