LENDAS E CRENÇAS POPULARES
 

Os Fajardenses usavam mésinhas e rezas secretas. Exemplo: com nove pingos de azeite, deitados três a três num prato com água fria, logo sabem se a dor de cabeça ou a doença do porco ou do cão é causada por ódios, invejas ou mau olhado, conforme essas gotas se comportam: se ficam à tona, ao meio, ou se vão ao fundo da água.

As "Benzeduras" e "rezas" mais complicadas usam-se para cura da erisipela e da carne dessoldada.

Para curar a erisipela usava-se uma faca, uma chave com azeite cru, um pedadço de corda e um talo de couve. Durante nove dias, coloca-se a corda, untada de azeite e um pedaço de talo de couve, sobre a parte do corpo atingida, recitando-se uma oração a Santa Bárbara.

"Minha Santa Bárbara bendita,
Que tempestades nos tens salvado,
Manda já este terrível mal.
Lá para as bandas do mar salgado."


Para a carne dessoldada, usava-se: uma pá do lixo, uma vassoura pequena, uma tesoura, um pente, um espeto e uma trempe. Todos os objectos são colocados numa panela com água a ferver. O paciente terá de sofrer alguns puxões violentos, sofrendo depois as massagens feitas com diversos objectos, ao mesmo tempo que se vai dizendo:

"Carne quebrada, torna a soldar,
Nervo torto, torna ao teu lugar."

    
Para o Fajardense, o zumbido da varejeira é sinal que vai receber boas notícias; mas um zangão ao entrar em casa, é sinal que alguém na família vai adoecer com sezões. O canto do galo a "nunes" - hora ímpar - é bom sinal, mas se for a hora par a família fica inquieta à espera do que irá acontecer.    

Teme o canto do corujão, assim como o pio do mocho, passando da meia noite, é sinal de morte ou mau tempo.


CARACTERÍSTICAS DO HOMEM DA FAJARDA

Não há qualquer semelhança nesta população Fajardense com as populações rurais Alentejanas, cuja mulher é mais caseira e sóbria e cujo homem é mais pastor e melhor lavrador, sabendo manejar o arado com esmero, volteando o gado, silenciosamente, sem desperdiçar um palmo de chão.

Ao contrário o Fajardense, mais vivo e falador; menos comtemplativo e estático; sem vida interior que lhe torture a alma em mil anseios, não é poeta nem artista. É bailador e audaz; é bom cavador e bom negociante; é generoso, mas amigo do lucro.


 
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